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sábado, 21 de setembro de 2013

Foi Show: Lia Sophia e Juca Culatra

Ontem Belém foi palco de dois belos shows - Lia Sophia lançando seu quarto CD e Juca Culatra gravando seu primeiro DVD (fora inúmeras outras atrações e atividades que têm feito a cidade ferver ultimamente não só no sentido climático).



Lia se apresentou em palco montado à frente do anfiteatro existente na área externa da Estação das Docas, área central da capital. Em show de pouco menos de duas horas (iniciado a partir das 21h07), a cantora e compositora apresentou todas as canções gravadas no novo disco, seu primeiro intitulado apenas Lia Sophia

Na abertura, cantando "Quando Eu te Conheci" (Dona Onete), Lia surpreendeu entrando em cena segurando um guarda-chuva e vestindo uma capa de chuva, a qual despiu teatralmente em meio à sensual canção (perto do telão à direita do palco, um grupo gritou nessa hora para ela tirar o restante, chamando a cantora de gostosa!). Demonstrando estar muito feliz com o lançamento e a presença maciça de público, Lia alterou parte da letra de "Que Sorte" para saudar a platéia: Que sorte a minha encontrar vocês aqui! (no original, o pronome está no singular). Mais tarde, foi ela a surpreendida pelos fãs ao iniciar "Cheio de Flor" (Lia Sophia - Edvaldo Cavalcante): as pessoas que estavam próximas ao palco começaram a sacudir flores artificiais que haviam recebido da produção do espetáculo sem que Lia soubesse. O  vestido amarelo da foto que abre o post foi o figurino da parte final do show, que abriu com o grande sucesso "Ai Menina", que foi também a última do bis a pedido do público (após encerrar com "E se Quiser", parceria com Jade Guilhon, Lia cantou uma versão acústica de "A Natureza das Coisas", de Flávio José, como um incentivo para que as pessoas façam como ela própria, Lia, e não desistam de seus sonhos. Bela como mensagem, seu andamento bem lento destoava do clima dançante da maior parte do espetáculo). 


O show teve diversas participações especiais - além do guitarrista Luiz Félix Robatto, co-produtor do CD junto com Lia, que participou de praticamente o show inteiro (incluindo o reforço à percussão junto com Márcio Jardim, do Trio Manari, no set romântico que lembrou o terceiro CD da cantora, com "Amor Amor", de Magno e André Carlos, e "Ao Pôr-do-Sol", de Firmo Cardoso e Dino Souza). Ao lado do já citado Trio Manari, Lia cantou a música que abre o novo CD do grupo, "Santeria Cubana" (nesta hora, a cantora tocou percussão junto com Luiz Félix, cabendo a Kléber Benigno, do Trio, tocar banjo). Com a violinista Jade Guilhon, d'O Charme do Choro, Lia tocou "Beleza da Noite" (Mestre Curica) e "Eu Sou o Caso Deles" (Moraes - Galvão), clássico dos Novos Baianos que dedicou a seus pais, presentes na platéia. Ao lado de Mestre Vieira, que saudou como um dos responsáveis pela atual projeção dos artistas paraenses na mídia nacional, Lia cantou "Você Voltou pra Mim", tema que os dois já haviam gravado no DVD de 50 anos de carreira do Mestre (cujo lançamento foi anunciado para o mesmo anfiteatro da Estação das Docas, no próximo dia 25 de outubro, uma sexta).

Lia cantou ainda "Salto Mortal", música sua que em 2011 chegou a ser anunciada como faixa-título do 4º CD, porém sem ter sido incluída no álbum ora lançado. De outros artistas, interpretou "Desafinado" (Tom Jobim - Newton Mendonça) e "Tudo pela Metade" (Marisa Monte - Nando Reis), além de dar uma palhinha de "Só no Charminho", da Gang do Eletro, logo após cantar "Um Beijo", parceria com Felipe Cordeiro. 

Um momento que destaco particularmente como de grande emoção foi quando cinco caixas de marabaixo (tocadas pelo  Trio Manari,  Edvaldo Cavalcante  e a própria Lia) acompanharam a interpretação dos marabaixos "Aonde Tu Vai, Rapaz?" (Raimundo Ladislau) e "Rosa Branca Açucena". Este set homenageou as raízes amapaenses de Lia, filha de paraenses nascida em Caiena (Guiana Francesa) e criada dos 2 aos 17 anos em Macapá. 

Foto: Thiago Araújo

Se a palavra para definir o show de Lia foi "encantamento", a melhor definição para o de Juca Culatra seria "bom humor". Esta característica do artista foi fundamental para lidar com as interrupções costumeiras numa gravação de DVD, ainda mais numa gravação como a de ontem, denominada como ninja - referindo-se à Mídia Ninja, que tem coberto em tempo real as manifestações nas capitais brasileiras. A produção irá utilizar também na finalização do DVD material gerado pelo próprio público presente no Bar Palafita no show. 

Passavam de 2h20 da manhã deste sábado quando Juca entrou no palco acompanhado do tecladista Fábio Seqüela, o baixista Charles Santana e o baterista Júnior Gurgel. O repertório incluiu temas dos dois CDs que o artista já lançou, Dino Sapiens (2011), autoral, e Breggae (2013), com canções bregas paraenses arranjadas em ritmo de reggae. Este, conforme anunciou Juca, inagura uma trilogia que irá incluir os projetos Skreggae (mesclando ska e reggae) e Jamaica Amazônia (juntando o carimbó e o marabaixo ao reggae). Do disco mais recente, vieram temas românticos "Minha Amiga", "Conquista" e  "Ao Pôr-do-Sol". Do primeiro CD, canções como "Xingu" (a mais política da noite, posicionando-se contra a construção da Usina de Belo Monte), que contou com rimas improvisadas pelo convidado MC Bruno B.O., e sucessos como "Crioulo Doido" e "Brócolis", que tiveram a participação do guitarrista Marcel Barreto, que integrava a banda de Juca na época da gravação do disco.

Marcel, que se destacou por um belo solo em "O que Você Quiser", também tomou parte na jam session final, que reuniu no palco o baixista MG Calibre, mais Renato Rosas na guitarra, o sambista Arthur Espíndola na bateria e até, em dado momento, o DJ Homero Flávio (que dirigia a filmagem do DVD) na cuíca. Juntos, essas feras da música paraense fizeram uma homenagem a Chico Braga, cantando ainda carimbós clássicos como "Pescador, Pescador" e o "Carimbó do Macaco". A festa acabou perto das 4h da manhã, hora em que o Palafita precisa encerrar as atividades. 

Foto: Yvan Wilson
Evangelista Gondim


Agora é ficar torcendo para que não demore o lançamento do DVD! 


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