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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Foi Show: 6º Festival Fabrikaos

Por Raissa Lennon,
de Belém
Primeira foto: Casa Fora do Eixo Amazônia
As outras: Luneta Fotografia

Djair (Antcorpus) com Sammliz (Madame Saatan)



Ver o sol se pôr na beira do rio, ouvindo solos enfurecidos no melhor clima de companheirismo roqueiro, foi o privilégio daqueles que não perderam a sexta edição do Festival Fabrikaos. O evento que rolou no sábado, 24 de agosto, contou com a presença de 12 bandas de rock que botaram o público para estremecer as tábuas do Mormaço. 

Como estava programada desde o início, a abertura com a banda Bixo Morto começou pontualmente às 15h, e o encerramento se deu à meia-noite. “Batemos muito nessa tecla do horário pontual, pois acho importante e creio ser uma falha em alguns eventos na cidade”, explicou o vocalista dos Delinquentes, Jayme Katarro, idealizador do evento.

Como o próprio nome já lembra, o evento foi inspirado no clima dos ensaios no Fabrika Studio, que é um local onde muitas bandas iniciantes e veteranas já ensaiaram e ainda ensaiam. Em 2013, são vários os exemplos dessa geração “Fabrikaos”, que não se cansou de buzinar a campainha do estúdio do Jayme para fazer um som. O festival contou mais uma vez com o apoio da Abunai Produções.

Para Jayme a organização deste ano foi melhor do que as outras edições. “O Fabrikaos foi excelente na minha concepção. A estrutura estava melhor que a do ano passado, em relação ao palco, som e iluminação”. Ele comenta também o público, que muda a cada ano. “Senti a falta de um determinado público, o chamado metalcore e os headbangers, mas em compensação ganhamos outro público que nunca havia ido ao festival, que foi justamente aquela galera mais clássica do punk e do metal, que queriam ver a Insolência Públika e o D.N.A.”. 

O evento permaneceu fiel a sua veia de rock'n'roll pesado, apesar de cada banda ter seu próprio estilo. A edição abriu espaço para a agressividade do punkcore do Bixo Morto, além do novíssimo deathgrind do Methastasy - que conta com o ex-vocalista da emblemática banda de metalcore D.H.D. Já o Seven Foot levantou a bandeira do hardcore melódico, enquanto Hellride continuou na linha do genuíno heavy metal.

Scream of Death

No meio da tarde, o Navalha subiu ao palco trazendo o seu metal denso, com letras em português, como poucas bandas desse estilo sabem fazer. Em seguida, a banda Scream of Death, de Castanhal, agitou o público e anunciou que aquele era o primeiro show de sua turnê Norte e Nordeste (no sábado seguinte, a banda encerrou a 3ª Zombie Night, em Macapá). Outra banda de fora da capital, a Antcorpus, de Parauapebas também fez muita gente punkear. No meio da música “Chuva ácida”, eles ainda derramaram sobre o público uma cachaça que a própria banda comercializa. 

A 'Chuva Ácida' da Antcorpus 

Já o Molho Negro trouxe o seu som mais alternativo, fazendo uma performance elétrica no palco, com direito a versão inédita de “Negro Gato” (Getúlio Côrtes), sucesso de Roberto Carlos, e um vídeo feito ao vivo com a participação do público.

Molho Negro

O Fabrikaos contou também com os veteranos do Insolência Públika, que é a primeira banda punk/hardcore da cidade, criadora de hinos como “Beirute Está Morta”. Além dos Rennegados, que foi a primeira banda a ensaiar no estúdio do Jayme, com seu “hardcore made in Guamá”. Já o Telaviv, com seu metal extremo, marcou sua estréia na 1ª edição do Fabrikaos. Para encerrar a noite em bom estilo, o evento trouxe o heavy metal do D.N.A. que surgiu nos anos 90, fez escola e recentemente voltou com tudo, fazendo o show de abertura do internacional Deep Purple.

“Apesar das minhas preferências, todas as bandas foram boas e deixaram o seu recado. O Navalha, por exemplo, surpreendeu. Methastasy tocou cedo e para um público menor, mas quem viu e não conhecia, gostou de cara. Antcorpus, Rennegados e Telaviv também agitaram bastante a galera”, elogiou Jayme Katarro. Para ele, o projeto que surgiu como uma forma de mostrar a qualidade musical das bandas que tocavam em seu estúdio, agora, é um evento importante para o calendário underground da cidade. “Vejo como uma grande vitrine em que se apresentam as bandas que estão mandando ver na nossa terrinha, mas que nem sempre tem um espaço ao sol. Lógico que há bem mais bandas que essas, mas seria impossível botarmos todas que merecem num único festival, teria que ser um megaevento de um mês inteiro. As bandas de rock autorais da cidade têm uma pegada boa, inclusive com o público. Então merecem mostrar o seu trabalho no palco”. 

Já para o próximo ano, Jayme anuncia que talvez haja alguma mudança no formato, o que é importante para “revigorar e reciclar o festival”. 

Um comentário:

  1. Vida longa ao Fabrikaos...
    Que a cada ano comece cada vez mais cedo, e termine cada vez mais tarde...
    Quem sabe assim não se retoma, mesmo sem querer, o clássico eterno Rock 24h?

    Breno Barros

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