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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Foi Show: Aíla, Renato Torres, Felipe Cordeiro e Euterpia


Na semana passada, estive em Belém para conferir no Memorial dos Povos o show de lançamento do CD da Aíla, Trelelê. Felizmente, pude aproveitar a ocasião para participar, no dia seguinte, de outros três eventos supimpas - Renato Torres no SESC Boulevard, Felipe Cordeiro na Praça do Carmo e A Euterpia no Café com Arte. É, Belém é assim mesmo, as opções musicais de qualidade (especialmente entre quinta e sábado) são sempre em altas proporções. O que me admira é que até agora não surgiu um serviço especializado em transportar a galera - muita gente foi do SESC (a pé, de carro ou de táxi) para o show do Felipe, e houve quem, além de mim, também fizesse o mesmo programa triplo. Fica a sugestão para os empreendedores locais. Mas, ok, vamos aos shows! 
  • Aíla


Aíla fez no Memorial show que representou a culminância do processo iniciado com os pocket shows de maio de 2010, no extinto Boteco São Matheus, quando, ao lado de seu então diretor musical Felipe Cordeiro, começou a busca de uma sonoridade própria aliando ritmos amazônicos e pop. Se o processo iniciou modestamente (houve várias falhas de som e luz naqueles dias no S. Matheus), o show da quinta, 19, foi irretocável, com requintes de superprodução. O telão atrás do palco projetava imagens criadas pela artista visual Roberta Carvalho, que ora eram comentários-quase-clipes das canções, ora eram criações livres sugerindo climas. Aíla cantou todas as músicas do novo CD, com destaque para "Brechot do Brega", do repertório da extinta banda paraense A Euterpia (que contou com dois ex-integrantes presentes, Tom Salazar Cano na guitarra, e a vocalista Marisa Brito na plateia), "Todo Mundo Nasce Artista", de Eliakin Rufino, "Qualquer Esperança", de Renato Torres (que também estava presente) e Ana Flor. "Dona Maria", de Pinduca, teve participação especial de Márcio Jardim, do Trio Manari, anunciado por Aíla como o melhor pandeirista do mundo. Manoel Cordeiro participou tocando guitarra em "Garota", e fazendo um belo dueto com Davi Amorim na instrumental "Fim de Festa". Deixou ainda o abraço do filho, Felipe, que de última hora precisou cancelar sua participação. Tivemos ainda Dona Onete, dividindo brilhantemente o vocal de "Proposta Indecente" com Aíla. Uma barraquinha de comidinhas regionais com jambu ajudava a galera a entrar no clima "trelelê". A chuva, que foi uma preocupação velada mas constante, só deu as caras após o segundo bis, "Contigo ao Sol". 
  • Renato Torres


Renato, bastante conhecido por seu trabalho com a banda Clepsidra, lançou na sexta, 20, seu projeto solo. Tudo ok com a banda, como ele contou em recente entrevista ao blog Holofote Virtual da Luciana Medeiros, e reafirmou no show:  Se eu faço este show com esta banda mais o Maurício Panzera e o Arthur Kunz, seria a Clepsidra com mais alguns músicos. A banda escolhida também tem nomes de excelência musical, e também afinidade com Renato - o baixista Rubens Stanislaw é seu parceiro há mais de 20 anos, por exemplo. Renato promoveu um desfile de canções, na maioria, inéditas (ao menos em sua voz). Do repertório todo, eu conhecia apenas "Cavalo Marinho", que Luê canta em seus shows recentes, e "Vida é Sonho", que dá nome ao show, e que Juliana Sinimbú incluiu em seu show Daqui pra Frente, em 2008  - além, claro, de "Feito pra Acabar", de Marcelo Jeneci, uma das "exceções à regra" num repertório predominantemente autoral. Em "Vida é Sonho", Renato cantou em dueto com Camila Honda, a mais nova integrante da sua banda. No restante do show, ela faz backing vocal, cantando com Renato ora em uníssono, ora em terças, dando sempre um belíssimo efeito. O show todo transcorre num clima meio de "Clube da Esquina", movimento que Renato já homenageou em temporadas nas noites de Belém. Para quem não viu, recomendo ir ao SESC Boulevard nessa sexta, 27, a partir das 19h. Renato repete o show, desta vez com as participações de Juliana Sinimbú, Luê e Arthur Nogueira, que não estavam presentes no dia 20. 
  • Felipe Cordeiro


Felipe Cordeiro me surpreendeu, fazendo do seu show na Praça do Carmo não apenas o lançamento do CD Kitsch Pop Cult, mas uma verdadeira celebração. Ao lado do pai, Manoel Cordeiro, e da banda que o acompanhou no processo que culminou no CD (iniciado em junho de 2010, num show no bar Acordalice), Felipe fez um passeio por sua história musical. Começou tocando o choro "Santa Morena", de Jacob do Bandolim, ao lado de seu primeiro professor, Luiz Pardal. Na sequência, ouviram-se, é claro, as principais faixas do novo CD - "Legal e Ilegal", "Café Pequeno", "Lambada com Farinha" e "Fogo da Morena". Mas sem dúvida o que mais marcou foram os momentos com as participações especiais. Ao lado de Luiz Félix Robatto, da Félix y Los Carozos, Felipe mandou ver em um tema de Mestre Vieira, passando depois à sua "Kitsch Song" (uma bela surf music que eu disse a ele, ainda em São Paulo, que sinto falta quando não rola no show) e fechando com o "Gererê" de Nelsinho Rodrigues. A Gang do Eletro protagonizou um dos momentos de maior arrebatamento do público que lotava a praça, com "Galera da Laje". O bis incluiu uma homenagem, um "Parabéns a Você" em ritmo de guitarrada, para a vocalista Luiza Braga, que aniversariou naquele dia. 

  • A Euterpia


A banda acabou em 2009, mas devido à presença em Belém de dois dos ex-integrantes, que moram atualmente em São Paulo, foi possível reunir a banda (exceto pela ausência de Antônio Novaes) numa festa do coletivo Pogobol no Café com Arte. A vocalista Marisa Brito saudou a escolha, lembrando os memoráveis shows que a Euterpia fez no local, antes de se transferir para o Sudeste. O show foi acertado uma semana antes e teve apenas um ensaio, na véspera. Mas o que rolou pode ser traduzido noutra frase de Marisa:

- Eu sinto como se a gente nunca tivesse parado. 

Para o público que lotou a galeria do Café na hora do show, a sensação foi a mesma. Canções como "Brechot do Brega" e "Veneza", além de outros sucessos, eram cantados em coro por todos. Enfim, foi um reencontro de amigos talentosos que quiseram dividir mais uma vez sua arte com o público da cidade onde a banda nasceu. Sorte de quem presenciou este momento único!


Um comentário:

  1. Com tantos talentos e trabalhos bons (uns novos e alguns nem tanto),Sorte a nossa de não termos sido esquecido pelo público, esse reencontro d'A Euterpia, realmente foi muito bom, um clima alto astral, uma energia muito boa, uma noite pra ficar guardada na lembrança. Nosso muito Obrigado,e um abraço Eutérpico à todos.

    Carlos "Canhão" Brito Jr.

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